São Mágoas, meu amor
É assim devagarinho e deste jeito
como quem passa a mão por sobre a lua
que seguro o teu rosto no meu peito
onde reside agora uma mágoa tua.
São mágoas que todos suportamos
todos guardamos em secreto leito
quando ao leito pela noite regressamos
e sentimos vazio o nosso peito.
Coisas nossas que a vida nos oferece
só as sentimos quando nos parece
a nossa alma banhada em solidão.
Mas há em cada dia um novo dia
um dia em que sentimos alegria
e um amigo nos abre o coração.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Arte do Ninho
Bocados de terra mole e palha seca
carrasca, urze e pontas de giesta
um bico rendilhando eternidades
e um voo paralelo a uma aresta.É esse o ninho que o sol venera
e tudo quanto fica no olhar
mais o silêncio da arte e a breve espera
onde te deitas à noite a descansar.
Minha ave de voos íntimos e certos
que guardas o testemunho do encanto,
faz o teu ninho, acasala ao canto...Ó ave de voos íntimos e libertos
que olhar se sobrepõe à persistência?
Essa arte que tens no bico, a paciência!
* Baladas de Orvalho
domingo, 6 de junho de 2010
Manhã Crespada
imparável este vento
a folhagem correndo o chão
e o ar e as ruas paradas
atravesso o último olhar
e só depois as pedras
me afastam deste lugar
onde te procuro
uma manhã crespada
o chão é áspero e ainda o vento
e outra vez as pedras
sei do silêncio e no silêncio grito
não desisto de te procurar
a folhagem correndo o chão
e o ar e as ruas paradas
atravesso o último olhar
e só depois as pedras
me afastam deste lugar
onde te procuro
uma manhã crespada
o chão é áspero e ainda o vento
e outra vez as pedras
sei do silêncio e no silêncio grito
não desisto de te procurar
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Trocadilho de Graça
o corpo da graça
exposto na praça
à espera do dia
amor em redor
era o meu amor
que ali aparecia
vi a minha graça
despida na praça
eu enlouquecia
tomei-a de graça
e fizemos amor
no meio da praça
até vir o dia
exposto na praça
à espera do dia
amor em redor
era o meu amor
que ali aparecia
vi a minha graça
despida na praça
eu enlouquecia
tomei-a de graça
e fizemos amor
no meio da praça
até vir o dia
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Voo
Habito esta incerteza:
o lugar exacto
para o resgate das mãos
E, contudo, permaneço
rompendo os dias inacessíveis
Hoje talvez me demore
vou partir com as aves.
o lugar exacto
para o resgate das mãos
E, contudo, permaneço
rompendo os dias inacessíveis
Hoje talvez me demore
vou partir com as aves.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Um pouco mais... Um pouquinho mais!
Convidado a visitar a escola Secundária de Maximinos, Braga,
no âmbito da aproximação Escritor / Alunos,
deram-me a honra de entregar, ao grande campeão Tiago Dias,
um envelope contendo 300.00 euros. Era o produto da venda
dos 30 exemplares do Manto de Sombras que ofereci na campanha
para a compra de uma cadeira mais confortável para o Tiago.
Foi um dos momentos mais comoventes da minha vida. Valeu a pena!
Cumprimentei o Tiago. Somos amigos. Ele ofereceu-nos um sorriso.
O seu professor, António José Braga, segredou-me que, na véspera,
o Tiago arrancara um 3º lugar, na modalidade de boccia. Muito Bom!
Ainda espera pela tua participação! E tu que esperas?!!!
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Transfigurações
nos braços de uma toalha
repousa uma guitarra antiga
e há flores bordadas
leves penas cordas a cor do mel
borboletas loucas
e além onde o sol se despede
a voz de um deus qualquer
convoca a polpa dos meus dedos
Instrumento Musical, meados do séc. XIX
Madeira e Marfim
Mestre Jorge Ulisses - 1994.
repousa uma guitarra antiga
e há flores bordadas
leves penas cordas a cor do mel
borboletas loucas
e além onde o sol se despede
a voz de um deus qualquer
convoca a polpa dos meus dedos
Instrumento Musical, meados do séc. XIX
Madeira e Marfim
Mestre Jorge Ulisses - 1994.
sábado, 15 de maio de 2010
Este Poema
Este olhar reflectido no sol
estes passos
Esta tarde quente
esta sede de querer-te
Este andar alongado
para ver-te
Este poema
feito de cansaços
( Poemas Para Uma Arca Vazia)
estes passos
Esta tarde quente
esta sede de querer-te
Este andar alongado
para ver-te
Este poema
feito de cansaços
( Poemas Para Uma Arca Vazia)
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Os Dias e as Sombras
A mão espalmada na parede
a rua agitando teias de orvalho
a rua agitando teias de orvalho
e a rapariga de cabelo ao vento
com o olhar ingenuamente puro
caído sobre a mansidão das árvores.
Teias de orvalho e o silêncio
resgatado ao olhar de acaso
informe e dúctil da rapariga,
o fino traço e talvez o último passo
o fino traço e talvez o último passo
dado por esta rua que a noite vem acumulando.
Dou pelo quebrar maciço das árvores
ouvindo uma voz selvagem e desconhecida,
a mão espalmada na parede,
a nítida cor dos dedos na parede,
e os dias inúteis ali perto de mim,
os dias e as árvores nas mãos da rapariga.
(Baladas de Orvalho)
sábado, 8 de maio de 2010
Um Abraço para o Tiago
O Tiago Dias frequenta o 11º ano do Curso Profissional de Informátia de Gestão. Com muito sucesso.
O Tiago é portador de uma distrofia muscular.
Por informação do seu professor, António José Braga, o Tiago possui uma cadeira que não lhe permite um posicionamento confortável e sadio durante as longas horas de permanência na escola.
Por isso, está em curso uma campanha de recolha de tampas e donativos para a aquisição de uma nova cadeira no valor de 10. 384 euros, para o Tiago. Vamos ajudar o Tiago a vencer!
O seu donativo pode ser depositado numa conta que existe para o efeito, com o seguinte NIB: 0035 0448 0001 5178 5008 5
O Tiago é portador de uma distrofia muscular.
Por informação do seu professor, António José Braga, o Tiago possui uma cadeira que não lhe permite um posicionamento confortável e sadio durante as longas horas de permanência na escola.
Por isso, está em curso uma campanha de recolha de tampas e donativos para a aquisição de uma nova cadeira no valor de 10. 384 euros, para o Tiago. Vamos ajudar o Tiago a vencer!
O seu donativo pode ser depositado numa conta que existe para o efeito, com o seguinte NIB: 0035 0448 0001 5178 5008 5
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Manto de Sombra
A apresentação pública deste romance ocorre
na Junta de Freguesia de Nogueira
hoje, 7 de Maio, pelas 21h30.
A sessão está a cargo da professora Júlia Vale
que fará a análise crítica da obra.
As Edições Calígrafo e o autor Álvaro de Oliveira
convidam v. Exa. a participar no evento.
na Junta de Freguesia de Nogueira
hoje, 7 de Maio, pelas 21h30.
A sessão está a cargo da professora Júlia Vale
que fará a análise crítica da obra.
As Edições Calígrafo e o autor Álvaro de Oliveira
convidam v. Exa. a participar no evento.
domingo, 2 de maio de 2010
À Mãe
Já nada posso ver sem que te veja
murmúrio entre as coisas que imagino
farol virado ao mar ou o quer que seja
silêncio ou mesmo o grito do meu hino.
Em nada quero estar sem que não estejas
com os beijos que me deste em pequenino
Ah! minha Mãe, amor como que sejas
deusa ou fada traçando o meu destino.
Presença iluminando o pensamento
sorrisos que me dás nas mãos do vento
palavras puras em que me reveja
Outro tempo se foi... e mesmo agora
dobrado à vontade de ir-me embora
ainda não posso ver sem que te veja.
murmúrio entre as coisas que imagino
farol virado ao mar ou o quer que seja
silêncio ou mesmo o grito do meu hino.
Em nada quero estar sem que não estejas
com os beijos que me deste em pequenino
Ah! minha Mãe, amor como que sejas
deusa ou fada traçando o meu destino.
Presença iluminando o pensamento
sorrisos que me dás nas mãos do vento
palavras puras em que me reveja
Outro tempo se foi... e mesmo agora
dobrado à vontade de ir-me embora
ainda não posso ver sem que te veja.
sábado, 1 de maio de 2010
1º de Maio de grandes lutas
A luta mais difícil que os trabalhadores
os operários, os camponeses e os intelectuais
hão-de travar, está muito próxima:
evitar que o grande capital,
em nome da crise, faça do homem o escravo do século.
os operários, os camponeses e os intelectuais
hão-de travar, está muito próxima:
evitar que o grande capital,
em nome da crise, faça do homem o escravo do século.
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