Atento ao concreto do dia-a-dia, o cidadão começa a questionar-se sobre os aumentos da água,
da luz e do gás atingirem níveis elevadíssimos, sendo, como são, bens de primeira necessidade.
Isto já para não trazer à liça outros géneros que nos são particularmente caros, como o pão e o leite.
E se porventura a doença nos conduzir para o balcão de uma farmácia, só aí, contas feitas, nem pensar no salário mínimo e na maioria das pensões de reforma. É que mais uma pequenina distracção com as despesas da casa, do carro e do telemóvel, nem o salário médio chegará.Vergados, portanto, à dura realidade destes destemperos de vida, ainda se pode perguntar: que será de quem vive apenas com o subsídio de inserção ou de desemprego? Que será das pessoas ou famílias que perderam o emprego e já nem um cêntimo recebem? Colocadas, então, estas interrogações, falta saber qual o nosso papel, a nossa vivência e a nossa atitude na comunidade a que pertencemos. Será que os cidadãos vão continuar a carregar com o fardo da crise e colocados ante a ganância dos que auferem gordas reformas do estado acumuladas a vencimentos muito mais elevados, ao carreirismo político e às fortunas dos banqueiros?
Mas o que mais doi é saber que no meio de tudo isto há uma refinada burguesia que, como diz o poeta, faz da desgraça a sua graça.
Nascente do rio Mondego na Serra da Estrela
Há 2 meses